"Flânerie"




"Flanerie is a kind of reading of the street, in which faces, shopfronts, shopwindows, café terraces, street cars, automobiles and trees become a wealth of equally valid letters of the alphabet that together result in words, setences and pages of an ever-new book. In order to engage in flânerie, one must not have anything too definite in mind "

(Franz Hessel, Spazieren in Berlim)


retirado de "FLANEUR" de Keith Tester

1 de novembro de 2010

6 de outubro de 2010

Experiência Proposta

A segunda experiência que proponho está inserida num contexto urbano e pensada para um ambiente nocturno. O percurso situado no centro histórico, a rua Nuno Álvares e a rua Santa Maria, dá acesso à zona de diversão nocturna, e por este motivo é um local de passagem durante a noite.

Esta proposta torna a sombra criada pelo sujeito, a porta para a cidade literária, anteriormente referida.


Isto é, imaginando que a rua foi o suporte onde os escritores escreveram a sua obra, tendo usado as paredes dos edifícios e o chão como papel, os textos que permanecem escondidos vão sendo revelados pela sombra do indivíduo.


Surge assim o estímulo de um comportamento lúdico de desvendar, onde é incentivando um movimento exploratório pela parte do sujeito, para se inteirar do que está oculto.

Experiência Proposta

A primeira abordagem tem como cenário a serra da Penha, um lugar privilegiado pela mistura entre a natureza e o homem, por ser um local de introspecção e contemplação e pela forte ligação á religião, consiste num sítio onde por norma existe uma maior conexão entre espaço, o corpo e alma do indivíduo. Para lá de todas estas circunstâncias criadas pelas diversas capelas a Penha é por si só um santuário natural. E por todas estas razões é um local vivo.

O que proponho é a intervenção sobre um ambiente bucólico, em que a ligação entre o indivíduo e o envolvente é estabelecida por meio das árvores, do som e da poesia.


A experiência é estabelecida quando o sujeito se move para ir de encontro a outro ser vivo, as árvores, e esta retribuiu citando poemas dos escritores locais. Aquilo que é criado é uma metáfora de um percurso de árvores vivas e falantes.


Porque as árvores não se encontram nos locais onde o fluxo de pessoas é significativo o convite para a experiência, é feito pela metáfora do bater do coração que se intensifica quando a distância entre a árvore e o sujeito diminui. Quando o indivíduo se encontra perto o bater do coração dá lugar à voz que recita as obras dos poetas locais.


Projecto


"Completar a cidade pode ser especialmente agradável, por mais vulgar que o panorama possa parecer”

Kevin Lynch


No contexto da sociedade actual o design é encarado cada vez mais como um potencializador de experiências. Segundo Nathan Shedrof , experience design consiste na criação deliberada e cuidada uma experiência total para o público.

Tendo em conta a ambição de Guimarães crescer como destino turístico por excelência, o próprio acto de viver uma cidade histórica e todo o património que esta acolhe torna-se por si só uma experiência de eleição que pode ser trabalhada e catalisada pelo design de experiência.

Guimarães, como tantas outras cidades históricas, concentra o turismo em determinados focos edificados, os marcos do berço da nacionalidade. Toda a experiência que poderá advir do acto de andar na rua, desfrutar da vivência da cidade, é desvalorizada e submetida aos percursos entre os diversos monumentos. Assim, num processo quase inconsciente e causado pelo défice de atenção, o indivíduo acaba por perder a essência da cidade em si, resumindo a mesma a alguns referentes que lhe são apresentados previamente

Guimarães 2012, cidade europeia da cultura, carrega por si só uma expectativa de novos acontecimentos culturais e a afluência de um novo grupo de visitantes motivados pela experiência e visibilidade desse evento, esperando ser surpreendido pelas actividades que este será capaz de demonstrar. No entanto, é de notar a efemeridade do evento e da importância de criar e oferecer uma experiência memorável entre o individuo e a cidade, para que este construa uma história sua e se torne porta-voz dessa experiência, comunicando –a, comunicação que é fundamental para a divulgação de Guimarães como um destino a visitar.

O evento da capital europeia da cultura é também uma oportunidade de projecto, pela predisposição a novos projectos e novas formas de ver e projectar a cidade. 2012, será assim o ano em que Guimarães se encontrará mais envolvido e mais receptivo ás diversas actividades culturais.

O projecto que proponho encontra neste contexto o ensejo para atrair para o espaço público fragmentos significativos da cultura local, como a literatura, confrontando o visitante com a mesma.

Sob este pretexto surge a ideia de citar alguns escritores locais para as ruas da cidade, através de algumas instalações interactivas.

Estas instalações interactivas, sugerem que o indivíduo percorra um percurso de experiências dinâmicas, onde o seu movimento enquanto pedestre tem como consequência o desvendar de uma cidade paralela á edificada, uma cidade literária.

O objectivo deste projecto é construir um ambiente no território urbano semelhante a um jogo.

Jogo é aqui entendido como a “ livre circulação dentro de uma estrutura mais rígida” (Salen K and Zimmermad). O conceito do jogo encerra em si mesmo sensações de alegria, prazer e diversão.


“An act is performed solely because of the pleasure it afford.
There is play"
Karl Gross


Pressupõe-se que um jogo ou uma instalação interactiva equivalente a um jogo resulte melhor quando se ambiciona construir uma relação mais íntima entre o indivíduo e a cidade. No processo de construir essa relação entre o sujeito e o território urbano, o primeiro passo, e talvez o mais o mais difícil, é captar a atenção do sujeito sobre um aspecto particular do meio que o rodeia.

Isto porque a atenção “é um poder geral e incondicionado, no sentido de que a cada momento ela pode dirigir-se indiferidamente a todos os conteúdos da consciência” (Maurice Merlau-Ponty).
É bastante fácil dispersarmos a nossa atenção ao andar na rua tendo em conta o número elevado de estímulos a que somos submetidos, uma vez que a nossa capacidade de focar é inversamente proporcional ao numero de estímulos que nos rodeiam. Este facto dificulta consideravelmente a percepção do meio que nos envolve.

Como é impossível diminuir os estímulos que estão presentes no meio urbano, a proposta consiste em colocar estímulos já conhecidos, como a figura da sombra e sons familiares, em evidência em lugares em que estes dificilmente estariam em destaque. Por serem estímulos conhecidos são fáceis de identificar, não correndo o risco de não serem percepcionados, ao estarem deslocados e em evidência constroem o efeito surpresa. A surpresa é fundamental neste contexto para captar a atenção e consequentemente a curiosidade para a experiência interactiva.

Ao conseguir que o indivíduo detecte o estímulo e interaja, é fundamental garantir que a experiência seja inesperada para que se possa marcar a memória do indivíduo.
Quanto mais marcantes, diferentes forem estas memórias, mais provável se torna que o indivíduo as comunique, transmitindo assim a sua ideia da cidade.


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